sábado, 10 de dezembro de 2011

"Poema de Muitos Séculos"


Poema de muitos séculos


O tempo esvai-se  nas ruas
 Estreitas como o coração do Inquisidor,
 Lânguido como o debruçar-se nas varandas
 De Cartagena de Índias.

 Índios que se foram e negros que vieram,
 Desterrados d ‘África para
 Viverem jungidos às garras de malfeitores
 E comerciantes cobiçosos.

 Tempos revoltos eram aqueles,
 Drake e suas caravelas em alto-mar
 A observar as muralhas
 E a liberdade custou muito botim.

 Donzelas, viúvas perdidas,
 Moças violadas,
 Vagam por vias estreitas
 E seus espíritos seguem atrás.

 Um café, um ‘helado’,
 Recordações e filmagens
 Ao mesmo tempo, como um caracol,
 Entre  o passado e o presente”.

(Cartagena , 31/07/11).

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