segunda-feira, 21 de maio de 2012

Filme "O exótico hotel Marigold"

      Gostei muito do filme "O exótico hotel Marigold". Apreciei-o nem tanto pela tentativa do enredo de resolver a vida dos personagens romanticamente, mas muito mais pela reflexão acerca da falta de sentido da vida e da possibilidade de se viver apenas.
      Resumidamente, o filme trata da mudança de alguns aposentados ingleses para a Índia, cada um possuindo um motivo particular para a viagem: problemas financeiros, realização de uma cirurgia, reencontro com um parceiro do passado,etc.  Todos se encontram no Hotel  Marigold, antiga construção decadente, no melhor estilo indiano, e que serve como palco para as diferentes características desses singulares personagens, que aos poucos vão se conhecendo uns aos outros, em meio à adaptação paulatina à India e ao próprio hotel.
      O fio condutor que percorre todas as histórias é o reencontro de cada um com o seu ser mais interior, uma verdadeiro processo de individuação. A libertação do passado, não como esquecimento puro e simples, mas como superação mediante o aprendizado ínsito às experiências boas e ruins vividas, é outra mensagem muito presente. As vivências boas do passado também podem aprisionar o ser. Às vezes, vive-se na ilusão de resgatar o que se viveu, sendo que as vivências são irrepetíveis. Outras diferentes, boas, ruins ou até melhores se seguirão. A felicidade do futuro é alcançável pela vivência do presente independetemente do passado, o que é muito difícil, mas como retrato poético bonito do filme, não deixa de ser uma verdade.
      Santo Agostinho já dizia, em "Confissões": não existe passado, nem futuro como categorias temporais, apenas como referências do presente, que em sí é apenas um átimo de segundo, nada mais.
      Uma das personagens diz, em determinado momento: " o que é importante é acordar de manhã e ter a convicção de se estar pronto para realizar o melhor ao que se propôs naquele dia".  O que é isso, se não, como disse, viver a existência apenas, da melhor maneira possível.
      Filme aparentemente leve, com alguns clichês; perdoáveis, contudo, diante da grandeza de sua mensageme e da exuberância do cenário coloridíssimo da Índia.