A visita às ruínas em
Cuzco e Machu Pichu, no Peru, permite uma reflexão comparativa entre o modelo
de sociedade que se tem hoje no mundo dito civilizado e aquela em que os incas
se organizavam.
Confesso que ao ler
Platão, principalmente, seu livro “República”, pensava ser artificial o modelo
ali preconizado baseado principalmente na
propriedade coletiva, na supressão
ou diminuição da família como
unidade fundamental da sociedade, eugenia, etc. A crítica à poesia que formula,
ainda que não seja tão absoluta assim, como se sabe, sempre me aflingiu por sua
artificialidade.
Surpreendi-me, contudo,
ao constatar que era exatamente assim que os incas viviam, ou seja, tudo era
coletivo e sem vestígios de literatura. Talvez oral apenas.
E a partir daí
e, é claro, com um profundo
sentimento de integração com a natureza, construíram uma sociedade avançadíssima para a época. Não
havia números significativos de roubos, assassinatos, adultérios e os governantes trabalhavam para o bem
comum. Onde falhamos? Em que podemos apreender com eles?
Primeiro: nosso tipo de
sociedade baseia-se em modelos que vêm dos egípcios, gregos e indu-persas, em
que o culto ao luxo, o lucro e os conflitos bélicos eram a tônica. Está, assim, em nosso DNA social - se é
que se pode cunhar o termo dessa forma -,
mas reflete bem o que quero dizer, a raiz de nossos problemas.
Segundo: nosso
individualismo sem o qual não podemos viver, é também a causa de nossos
problemas sociais. No fundo, Karl Marx tinha razão, pois em última análise o
comunismo seria realmente uma sociedade
ideal. Pena que utópica, pois longe de
nossos paradigmas históricos. Talvez, o aproveitamento de parte do modo de vida
da sociedade inca já nos servisse.
Não podemos viver sem o
individualismo, que nos é tão caro, mas se intenção é alcançar o progresso socialmente digno e integrado com a natureza,
o indivíduo tem que ceder ao coletivo.