quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Sociedade Moderna e Machu Pichu



                        A visita às ruínas em Cuzco e Machu Pichu, no Peru, permite uma reflexão comparativa entre o modelo de sociedade que se tem hoje no mundo dito civilizado e aquela em que os incas se organizavam.
                        Confesso que ao ler Platão, principalmente, seu livro “República”, pensava ser artificial o modelo ali preconizado baseado principalmente na  propriedade coletiva, na supressão  ou diminuição  da família como unidade fundamental da sociedade, eugenia, etc. A crítica à poesia que formula, ainda que não seja tão absoluta assim, como se sabe, sempre me aflingiu por sua artificialidade. 
            Surpreendi-me, contudo, ao constatar que era exatamente assim que os incas viviam, ou seja, tudo era coletivo e sem vestígios de literatura. Talvez oral apenas.
E a partir daí e, é claro, com um profundo  sentimento  de integração  com a natureza, construíram  uma sociedade avançadíssima para a época. Não havia números significativos de roubos, assassinatos, adultérios  e os governantes trabalhavam para o bem comum. Onde falhamos? Em que podemos apreender com eles?
                        Primeiro: nosso tipo de sociedade baseia-se em modelos que vêm dos egípcios, gregos e indu-persas, em que o culto ao luxo, o lucro e os conflitos bélicos eram a tônica.  Está, assim, em nosso DNA social - se é que se pode cunhar o termo dessa forma -,  mas reflete bem o que quero dizer, a raiz de nossos problemas.
                        Segundo: nosso individualismo sem o qual não podemos viver, é também a causa de nossos problemas sociais. No fundo, Karl Marx tinha razão, pois em última análise o comunismo seria  realmente uma sociedade ideal. Pena que utópica, pois longe  de nossos paradigmas históricos. Talvez, o aproveitamento de parte do modo de vida da sociedade inca já nos servisse.
                        Não podemos viver sem o individualismo, que nos é tão caro, mas se intenção é alcançar o progresso  socialmente digno e integrado com a natureza, o indivíduo tem que ceder ao coletivo.