Rumo à Oslo
Eram sete horas da
manhã e o sol ameno esticava seu aconchego sobre Oslo, quando sai, de taxi, do
aeroporto, rumo ao Grand Hotel. O
cansaço da longa viagem fez um pequeno descanso para que eu contemplasse
algumas belezas. Meus olhos estavam mais acesos do que nunca. É como tivesse
dormido durante toda a viagem ou, de repente, por um passe de mágica, retornado
ao jardim da infância. No percurso pela autoestrada, impecavelmente asfaltada,
observava através da janela do carro, as imagens de construções limpas, bem
organizadas arquitetonicamente e a cidade a funcionar como um relógio suíço.
Tudo aquilo ia revelando a mim, habitante de um País subdesenvolvido e em
absoluta decadência social, novas perspectivas, por experimentar, ainda que
brevemente, existir, viver e pensar em um lugar como aquele. Aos poucos é como
se estivesse vivendo ali desde sempre. Curioso, aliás, como isso sempre
acontece em minhas viagens. Entro sempre no fluxo das imagens, movimentos e
experiências novas: minha memória é seletiva; só se compraz com o bom. Acho que
deve ser isso.
Chegando ao hotel (um belo
prédio em estilo clássico construído em meados do século XIX), após repousar
por algumas horas, dormindo profundamente, acordei, tomei um reconfortante
banho, após organizar precariamente algumas roupas e objetos pessoais no
banheiro de mármore daquela agradável suíte - standard e muito superior
a qualquer outra em que tenha me
hospedado - segui em direção a um pequeno desbravamento das redondezas do
hotel, como sempre faço: toda viagem deve ter um primeiro mergulho, pois como o
fôlego deve ser suficiente para longos mergulhos, as primeiras impressões devem
ser impactantes para sustentar uma grande viagem.
Em meu sightseeing
inicial, passei em frente a um giftshopping, que capturou minha atenção,
como costuma acontecer, meio aleatoriamente e sem explicação. De repente, meus
olhos percorriam determinados objetos e souvenirs e, em cada um deles,
imaginava muitas histórias a serem contadas, exatamente como as vidas de cada
um dos moradores à beira da estrada que me levou até o hotel.
Após, sentei em um
agradável café às margens do sinuoso rio que percorre, como uma serpente, esta
bela, elegante e majestosa cidade, pedi um café, acompanhado de croissant com geléias e observei, ao
longe (nas marginais) parreiras repletas, com enormes frutos, verdejantes como
cocos tropicais. Mais adiante, para além da outra margem o rio (sobre uma
colina) via modernas torres de TV, edifícios novos, em meio a palácios e
casarões antigos no estilo townhouses.
Esse primeiro
mergulho foi prenúncio de vivências marcantes, como as de novos sabores,
cheiros, atitudes e belezas. A cada dia havia um elo a somar. Mas, aí já seria
outra história. Prefiro ficar com esse esboço, mais propício para transmitir o
muito em quase tão pouco.