domingo, 30 de agosto de 2015



Rumo à Oslo





                        Eram sete horas da manhã e o sol ameno esticava seu aconchego sobre Oslo, quando sai, de taxi, do aeroporto, rumo ao  Grand Hotel. O cansaço da longa viagem fez um pequeno descanso para que eu contemplasse algumas belezas. Meus olhos estavam mais acesos do que nunca. É como tivesse dormido durante toda a viagem ou, de repente, por um passe de mágica, retornado ao jardim da infância. No percurso pela autoestrada, impecavelmente asfaltada, observava através da janela do carro, as imagens de construções limpas, bem organizadas arquitetonicamente e a cidade a funcionar como um relógio suíço. Tudo aquilo ia revelando a mim, habitante de um País subdesenvolvido e em absoluta decadência social, novas perspectivas, por experimentar, ainda que brevemente, existir, viver e pensar em um lugar como aquele. Aos poucos é como se estivesse vivendo ali desde sempre. Curioso, aliás, como isso sempre acontece em minhas viagens. Entro sempre no fluxo das imagens, movimentos e experiências novas: minha memória é seletiva; só se compraz com o bom. Acho que deve ser isso.
                        Chegando ao hotel (um belo prédio em estilo clássico construído em meados do século XIX), após repousar por algumas horas, dormindo profundamente, acordei, tomei um reconfortante banho, após organizar precariamente algumas roupas e objetos pessoais no banheiro de mármore daquela agradável suíte - standard e muito superior a qualquer  outra em que tenha me hospedado - segui em direção a um pequeno desbravamento das redondezas do hotel, como sempre faço: toda viagem deve ter um primeiro mergulho, pois como o fôlego deve ser suficiente para longos mergulhos, as primeiras impressões devem ser impactantes para sustentar uma grande viagem.
                        Em meu sightseeing inicial, passei em frente a um giftshopping, que capturou minha atenção, como costuma acontecer, meio aleatoriamente e sem explicação. De repente, meus olhos percorriam determinados objetos e souvenirs e, em cada um deles, imaginava muitas histórias a serem contadas, exatamente como as vidas de cada um dos moradores à beira da estrada que me levou até o hotel.
                        Após, sentei em um agradável café às margens do sinuoso rio que percorre, como uma serpente, esta bela, elegante e majestosa cidade, pedi um café, acompanhado de  croissant com geléias e observei, ao longe (nas marginais) parreiras repletas, com enormes frutos, verdejantes como cocos tropicais. Mais adiante, para além da outra margem o rio (sobre uma colina) via modernas torres de TV, edifícios novos, em meio a palácios e casarões antigos no estilo townhouses.
                        Esse primeiro mergulho foi prenúncio de vivências marcantes, como as de novos sabores, cheiros, atitudes e belezas. A cada dia havia um elo a somar. Mas, aí já seria outra história. Prefiro ficar com esse esboço, mais propício para transmitir o muito em quase tão pouco.

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