sábado, 28 de julho de 2012

"Minha Pasárgada"


Minha Pasárgada

                                   Homenagem à Manoel Bandeira.

“Eu queria dormir
E acordar em algum lugar,
Sem intervalos.
Onde não houvesse mais solidão,
Onde pudesse amar plenamente,
Sem medo ou desconfiança.
Onde tivesse amigos realmente de mim,
E não de outras coisas.
Onde os parentes me escutassem e
E saciassem muito mais do que suas sedes.
Onde as pessoas não andassem em círculos,
Nem mais falassem sozinhas.
E que rezassem para um Deus interior.

Viveria para sempre nesse lugar,
Onde houvesse rios permanentes,
Onde os animais rissem
Pelo simples fato de serem respeitados como tal
E os homens chorassem
Pelo simples fato de pisarem numa flor”.


quarta-feira, 11 de julho de 2012


                       Me artomentava uma sensação de inutilidade, que nos acompanha quando não há mais saída para  algum  fim qualquer e indesejado.
                       A      vida vai passando lentamente; vão sumindo os dias, lentamente, e  percorremos rápido esse caminho que nos leva a todos.
                       Nunca tive pensamentos  cinzentos sobre a vida. Eles foram surgindo depois dos 40, quando a maior parte do tempo parece já ter escoado, quando a maior parte das flores do jardim já se extinguiram.  Os dias então passam a ter uma beleza singular, como se cada dia, cada hora ou minuto fossem um breve instante num parque de diversões, uma mordida no algodão doce ou um beijo úmido que nos devora.
                  Esse     sem sentido do mundo que nos rodeia e a humanidade não podem mesmo deixar saudades. Mas por que choramos então? Choramos por nós mesmos, por esses dias perdidos, pelos parques e algodões doces que não vamos aproveitar depois.
                       Choramos      por  não podermos mais estender por dias afora, eternamente, nossos desejos mais explícitos e também os mais recônditos.  Choramos porque não aproveitaremos mais o sol que queima e se retira, nem a chuva que cai e depois evapora.
                        Apesar de           muitas religiões dizerem que não se pode chorar, choramos porque somos animais e pecadores.
                        Viver inutilmente um dia   após o outro é a única conclusão sábia a que alguém pode chegar. Quantos tratados ou sessões de psicoterapia desperdiçadas  face a tão óbvia conclusão.
                        Somos todos    seres     racionais do não óbvio. Vagamos todos com uma pretensa lanterna enorme em um corredor escuro e muito maior do que imaginávamos. Somos incapazes de viver apenas !
                       

domingo, 1 de julho de 2012

"As quatro virtudes platônicas"


“As quatro virtudes, indicadas por Platão, na República”


As quatro virtudes cardeais da cidade são: a sabedoria, a coragem, a temperança e a justiça.
            A sabedoria  e a justiça situam-se na classe governante, a coragem na classe dos guerreiros e a temperança deve ocorrer em todas as classes.
            A justiça, segundo Platão, é o princípio segundo o qual “cada um deve ocupar-se de uma função na cidade, aquela para a qual a sua natureza é mais adequada”; “além disso, deve cuidar de tarefa própria”; “não se imiscuindo em outras tarefas”; “desempenhar cada um a sua tarefa” e “a posse do que pertence a cada um e a execução do que lhe compete constituem a justiça”.
            Portanto, segundo Platão, cada uma das classes deve executar a tarefa que lhe é própria, sendo que quando um homem tentar exercer os cargos correspondentes às demais classes, esta será a maior confusão  e a maior ruína da cidade. Ao contrário, o exercício de suas próprias tarefas pelas classes dos negociantes, auxiliares e guardiões, por exemplo, será a maior prova de justiça.
            È a justiça, portanto, que funda as outras quatro virtudes: a cidade será justa,  quando houver  três tipos de natureza, que executam,cada um a tarefa que lhe é própria, tudo isso de forma temperante, corajosa e sábia.
            Algumas palavras deve ser ditas ainda sobre as três virtudes seguintes: sabedoria, coragem e temperança.
            A sabedoria, conforme dito, é própria da classe dos governantes, sendo a capacidade de deliberação (não sobre pormenores, mas sobre a totalidade; apenas aquele que tiver o entendimento, não apenas a fé ou a opinião, é sábio).
            A coragem significa uma opinião reta acerca dos assuntos que possam nos causar perigo.
            A temperança é uma espécie de ordenação, constituindo um domínio dos prazeres e desejos, existindo no homem que é “senhor de si”.
            As 4 virtudes constituem, assim, o fundamento de harmonia que deve reger a cidade e consolidar a sua “unidade”.