quarta-feira, 11 de julho de 2012


                       Me artomentava uma sensação de inutilidade, que nos acompanha quando não há mais saída para  algum  fim qualquer e indesejado.
                       A      vida vai passando lentamente; vão sumindo os dias, lentamente, e  percorremos rápido esse caminho que nos leva a todos.
                       Nunca tive pensamentos  cinzentos sobre a vida. Eles foram surgindo depois dos 40, quando a maior parte do tempo parece já ter escoado, quando a maior parte das flores do jardim já se extinguiram.  Os dias então passam a ter uma beleza singular, como se cada dia, cada hora ou minuto fossem um breve instante num parque de diversões, uma mordida no algodão doce ou um beijo úmido que nos devora.
                  Esse     sem sentido do mundo que nos rodeia e a humanidade não podem mesmo deixar saudades. Mas por que choramos então? Choramos por nós mesmos, por esses dias perdidos, pelos parques e algodões doces que não vamos aproveitar depois.
                       Choramos      por  não podermos mais estender por dias afora, eternamente, nossos desejos mais explícitos e também os mais recônditos.  Choramos porque não aproveitaremos mais o sol que queima e se retira, nem a chuva que cai e depois evapora.
                        Apesar de           muitas religiões dizerem que não se pode chorar, choramos porque somos animais e pecadores.
                        Viver inutilmente um dia   após o outro é a única conclusão sábia a que alguém pode chegar. Quantos tratados ou sessões de psicoterapia desperdiçadas  face a tão óbvia conclusão.
                        Somos todos    seres     racionais do não óbvio. Vagamos todos com uma pretensa lanterna enorme em um corredor escuro e muito maior do que imaginávamos. Somos incapazes de viver apenas !
                       

Nenhum comentário:

Postar um comentário