Me artomentava uma sensação de inutilidade, que nos acompanha quando não há
mais saída para algum fim
qualquer e indesejado.
A vida vai passando lentamente;
vão sumindo os dias, lentamente, e percorremos rápido esse caminho que nos leva a
todos.
Nunca tive
pensamentos cinzentos sobre a vida. Eles
foram surgindo depois dos 40, quando a maior parte do tempo parece já ter
escoado, quando a maior parte das flores do jardim já se extinguiram. Os dias então passam a ter uma beleza
singular, como se cada dia, cada hora ou minuto fossem um breve instante num
parque de diversões, uma mordida no algodão doce ou um beijo úmido que nos
devora.
Esse sem sentido do
mundo que nos rodeia e a humanidade não podem mesmo deixar saudades. Mas por
que choramos então? Choramos por nós mesmos, por esses dias perdidos, pelos
parques e algodões doces que não vamos aproveitar depois.
Choramos por não
podermos mais estender por dias afora, eternamente, nossos desejos mais
explícitos e também os mais recônditos.
Choramos porque não aproveitaremos mais o sol que queima e se retira,
nem a chuva que cai e depois evapora.
Apesar de muitas
religiões dizerem que não se pode chorar, choramos porque somos animais e
pecadores.
Viver
inutilmente um dia após o outro é a única conclusão sábia a que alguém pode
chegar. Quantos tratados ou sessões de psicoterapia desperdiçadas face a tão óbvia conclusão.
Somos todos seres
racionais do não óbvio. Vagamos todos com uma pretensa lanterna enorme em um
corredor escuro e muito maior do que imaginávamos. Somos incapazes de viver
apenas !
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