sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A Banda De Möbius



No tempo de tanta vida,
Como vida antes,
Havia muito de mim,
Agora só há rompantes.

Cristalina era: a cor do mar
Como é o salgado suor
Que escorre pelo rosto
E que me pega de surpresa.

É um passado e futuro
Ou passado do futuro: o que será?

O carro passava e deixava seu rastro
Como deixou minha mãe aquelas roupas
                                                      [sobre a cômoda.
Poucos rastros de si restaram.

Havia pó na estrada
Que levava ao jardim primaveral
Onde crianças brincavam em balancês.

É um futuro e passado
Ou pretérito do passado: o que será?

A panela avizinhava o feijão que já queimava
Ela suava como operário sua em tarde de verão.
Eu (na mesa) comia, comia e comia.

A tarde se punha na Belém do norte
E meu norte se perdia em meu umbigo natal.

Bonitos seriam as mulheres se não fossem mães,
Como bonitos são os homens que são pais
De crianças fétidas que correm pelos corredores.

No velho prédio  não há mais orquídeas,
Só samambaias que descem pelas escadas
Como jacarés em rios amazônicos.

É um presente e futuro
Ou futuro do presente: o que será?


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