segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

"Olhar de Menino"

 Olhar de menino



“O edifício se misturava nos raios de sol
  Que desciam e o cobriam completamente,
  Nenhuma porta ou janela se lhes escapavam.
  Tudo luz, muita luz naqueles quartos de hotel.
  Um menino  olhava pela janela
  E via o mundo  em suas linhas retas,
  Vagando no meio da Baía da Guanabara.
  Enquanto sua mãe dormia, cansada,
  Ele via o mundo em novas formas,
  Diferentes de quaisquer outras que já vira antes.
  Nas pontas dos dedos, sem acordá-la, pegou uns trocados
  Da bolsa da mãe, pendurada em uma cadeira...
  Desceu, passando pelos amplos saguões  de entrada,
  E foi  comprar espadas de Luz, vendidas na calçada.
  Era o menino, procurando  lutar, procurando viver,
  Enquanto sua mãe dormia no quarto do hotel.
  Ele vivia como lutadores antigos; era domador de leões.
  Empinava o sabre pelas janelas
  E a luz que dali refluía,
  Misturada à luz do sol, ia até a baía
  E quase iluminava o fundo do mar e seus peixes.
  Aos poucos,  a luz foi se espalhando  e se refletia
                                                                       [em tudo.
  Toda a cidade, agora, estava envolvida pela luz do sabre
                                                                       [daquele menino.
  Tudo agora era a luz e a luz do menino e seu sabre
                                                                        [eram tudo.
  Sua mãe, de repente, acorda e a luz subitamente se esvai.
  O menino esconde o sabre em uma mala de viagem,
  A luz se apaga no quarto de hotel, no prédio e na
                                                                         [cidade inteira.
  Em segundos, falta luz em tudo...
  A mãe tira uma vela da valise e a acende.
  Vem a luz e, por sua sombra de luminosidade, 
  Vê-se o triste olhar daquele menino,
  Que agora, deitado na cama, olha fixamente para a janela
                                                                         [escura.
   E já não vê mais nada.
   Fecha os olhos e já não vê mais nada...”

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