Ao assistir ao filme de Pedro Álmodovar na semana passada, fiquei pensando sobre o mesmo. Ele se supera. É um filme muito bom e instigante. Um pouco incômodo, com certeza, mas nos pega de surpresa. É um misto de drama, romance, suspense e filme de terror "noir". Há muitas cores, como aliás é típico em Álmodovar, que reflete muito a Espanha e suas cores. Há muito de conflitos e a discussão da identidade sexual: o que é ser homem, o que é ser mulher. A violência pode inteferir em algo eminentemente humano? É possível transpor essas barreiras?
Fala também sobre os limites da ciência e até que ponto estamos preparados e dispostos a enfrentar suas fronteiras.
Ele parece não acreditar muito no homem, por conta talvez da natureza deste, eminentemente animal. Quando se descortina a esperança, ela a corta como se estivesse a usar um adaga muito bem afiada.
Álmodovar consegue, como ninguém, cristalizar em pouco tempo de filme, que é longo mas passa como um relâmpago, um mundo em poucas cenas. Quando termina o filme, sai-se com expectativa de ver mais, com a impressão de que se ficou sem respirar. Um breve e feliz intervalo na vida !
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