domingo, 1 de julho de 2012

"As quatro virtudes platônicas"


“As quatro virtudes, indicadas por Platão, na República”


As quatro virtudes cardeais da cidade são: a sabedoria, a coragem, a temperança e a justiça.
            A sabedoria  e a justiça situam-se na classe governante, a coragem na classe dos guerreiros e a temperança deve ocorrer em todas as classes.
            A justiça, segundo Platão, é o princípio segundo o qual “cada um deve ocupar-se de uma função na cidade, aquela para a qual a sua natureza é mais adequada”; “além disso, deve cuidar de tarefa própria”; “não se imiscuindo em outras tarefas”; “desempenhar cada um a sua tarefa” e “a posse do que pertence a cada um e a execução do que lhe compete constituem a justiça”.
            Portanto, segundo Platão, cada uma das classes deve executar a tarefa que lhe é própria, sendo que quando um homem tentar exercer os cargos correspondentes às demais classes, esta será a maior confusão  e a maior ruína da cidade. Ao contrário, o exercício de suas próprias tarefas pelas classes dos negociantes, auxiliares e guardiões, por exemplo, será a maior prova de justiça.
            È a justiça, portanto, que funda as outras quatro virtudes: a cidade será justa,  quando houver  três tipos de natureza, que executam,cada um a tarefa que lhe é própria, tudo isso de forma temperante, corajosa e sábia.
            Algumas palavras deve ser ditas ainda sobre as três virtudes seguintes: sabedoria, coragem e temperança.
            A sabedoria, conforme dito, é própria da classe dos governantes, sendo a capacidade de deliberação (não sobre pormenores, mas sobre a totalidade; apenas aquele que tiver o entendimento, não apenas a fé ou a opinião, é sábio).
            A coragem significa uma opinião reta acerca dos assuntos que possam nos causar perigo.
            A temperança é uma espécie de ordenação, constituindo um domínio dos prazeres e desejos, existindo no homem que é “senhor de si”.
            As 4 virtudes constituem, assim, o fundamento de harmonia que deve reger a cidade e consolidar a sua “unidade”.
           

2 comentários:

  1. Por tal lógica, a democracia não é para todos. Concorda?

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  2. No fundo é isso mesmo, ainda que o pensamento de Platão possa parecer equivocado. Na realidade, é um filósofo que questiona o valor da democracia que, em sua época, não tinha a importância que tem hoje. Para ele, a aristrocracia (o governo dos melhores) era o melhor regime político. Hoje, temos a consagração da democracia, que me parece salutar, até porque não se tem outro regime melhor.
    No entanto, não se deve esquecer que há problemas também na democracia, como um certa confusão de papeis e falta de preparo no exercício do poder, que é de todos. Nesse sentido, o pensamento de Platão continua bastante atual.

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