domingo, 1 de janeiro de 2012

Buenos Aires, de Silvio Gemaque

"Ruas de calçadas largas que se estendem
Ao Rio e que fluem inconstantemente
De pedestres apressados a comer "croissants".
Seus prédios de estilo francês
Lembram um glorioso passado
Que é presente para mim,
E a todos que se estendem e deitam
Em seus leitos portenhos.

Curiosamente o ar nostálgico passou
E não deixou nem rastro como deixa o barco
Que passa pelo Rio De la Plata
E que flutua em minha imaginação,
Deixando fumaça, espuma e lembrança.

Não há mais estilo,
Mas há propósitos que se encontram
Na confecção do açúcar do café,
Na geleia sobre a mesma:
´Made in Argentina´.

Não sei reconhecer a semelhança
Entre as cidades, só as diferenças.
Há um pouco de nada em tudo,
Mas o pó da geladeira do hotel voa
Enquanto em Buenos Aires já não toca mais a
                                                    [a canção.
As pessoas dançam, apenas, uma música
                                                    [silenciosa.
Que vai diretamente a seus ouvidos
Surdos de tudo, presos ao nada.
Dançam incesantemente, girando e girando.
O Tango passou, agora os cegos se levantam.
É hora de partir como partiu o som agudo
Que tocava nas vitrolas ´De La Boca´".

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